A Marginália se organiza por margens, não por limites. Cada gênero é um jeito de entrar e experimentar a água. Abaixo, sugestões de como navegamos em cada um. E há sempre palavras no rio para os textos que estão à margem da margem.
O verso solto, o poema em prosa, o que rima por dentro, o que rima por fora e o que recusa rimar. Aquela palavra pulsada que às vezes precisa sair em voz alta antes de ser escrita. Seja música, imagem, intenção de. Aqui recebemos seus espaços textuais e suas variações de tom e profundidade vocal.
Uma história inteira que se segura em uma leitura. Às vezes em duas, às vezes em três. Aqui recebemos histórias que podem passar em um instante ou uma vida inteira. Pequenos romances que a água adora tomar pra ela.
O cotidiano olhado de perto: a notícia tirada do jornal (mas essa não é poema?), a fila do mercado, o ônibus atrasado, a conversa que ficou pro café da tarde, de amanhã, do dia seguinte. Nesse espaço, as palavras pegam o dia comum em uma margem e o arrasta pra outras, transformando-o ao longo do caminho. É a Ostra fazendo a pérola?
Sua versão de poemas e músicas em outros idiomas - nesse eterno processo de leitura, interpretação e escrita. Envie o original junto e deixe a transição das línguas se fundarem à sua maneira
A margem também é feita de imagem. Fotografia, colagem ou rascunho, tudo o que se diz quando a palavra só faz afundar. As artes visuais vivem no Ateliê, e uma delas é selecionada para decorar nossa semana.
Nem todo texto navega em uma margem e tudo bem. Às vezes, múltiplas margens são necessárias para que se chegue em um lugar: mesmo que seja lugar nenhum, mesmo que só importe o navegar. Palavras no rio é onde a gente solta o que não se classifica: textos que se misturam, formas que escorrem, coisas que estão entre margem. Se o seu texto é fluido, ele é bem vindo aqui. A correnteza acolhe.
Escritores de qualquer nível são bem-vindos. Mande seu texto, sua tradução ou sua arte — ou solte no rio.