Poesia02 jul 2026
mal-dita
por Pedro Freitas
Naquele dia eu me senti tão pequenino que mal cabia nas palmas de suas mãos.
Era um sentir estrangeiro, estranho, que não se atrevia a ancorar em sentimento:
era sensação, carne que dói.
E eu ali sentia, e como sentia, um ponto minúsculo.
Um ponto denso.
Tão denso que o peso chegava as pernas bambear.
Era largado e não conseguia levantar - sustentar.
Ainda que de pequeno ponto.
Então fiquei lá.
Travado no contraponto.
Com os olhos arregalados da incerteza de quem nega pra si mesmo: já era sabido há muito antes.
Maldita animália!
O que de mim tanto quis que assim levou?
Eu sinto a falta,
eu habito esse vazio e faço dele minha casa.
Mas não consigo identificar o que de mim se foi, mal-dita.
Me destruiu em vida e agora também em morte?
Me deixaste com o sabor de pilha na boca,
Essa pergunta aberta,
Essa ferida crônica.
Esse agudo nunca me pareceu tão alto…
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