Poesia07 ago 2026
4:26
por Pedro Freitas
Quando esquecer se apropriou de como falar;
Foi aquele o dia.
Palavra alguma arriscava sair
Ou se quer mostrar corpo
Ainda que a boca cheia, e a intonação precisa,
O tropeço era apenas um balbucio de introdução
Palavra não dava conta:
era pouco.
Sentia até explodir
E compreensão era feito criança pequena,
que se encanta-assusta com o enorme do mundo grande
Palavra nenhuma sair nem se permitia
Palavra alguma se virava
De cara, vidrada, com esse tal de sentir que tão sozinho era
E ainda assim
Em nome do irônico que é existir pra fora
Tudo que restava, eram as palavras e engasgo
não há plural no desespero.
Começa e infinita
em unidade só e única, feito rugido;
E apenas louco seria qualquer algum que afirmasse para além daquele.
Tava com boca cheia,
de num conseguir mastigar.
Quem diria engolir?
Só mandava e dentro.
Palavra nenhuma deu conta,
Nem elas que lá já estavam
Nem das que poderiam vir-a-ser
Teve então, se não outra, que dar conta em sua solidão.
Era tão somente minha.
¶
← outros materiaisComentários
deixe a sua margem
Ainda sem comentários — seja a primeira margem.